Meus olhos faiscavam na sua direção enquanto meu coração me recriminava por ter outro. Eu esqueci por um momento como respirar e quando finalmente encontrei meus pulmões, arfei. Será que Deus deixou que os anjos saíssem do céu para visitar os humanos, porque nenhum outro motivo passava por minha mente para explicar a sua perfeição.
Tinha um jeito como seus olhos brilhavam que me fazia sorrir sem perceber. Só dele respirar eu me sentia mais viva. E quando ele me encarava... tudo ao meu redor parecia virar cinza.
Meu coração quase saltava do meu peito direto para as suas mãos. Mas, apenas me segurei. Eu não merecia um anjo em minha vida. Era uma pecadora só de desejá-lo para mim. A tentação era como larva descendo por minha pele, mas ao invés de recuar, pedia mais.
Sua postura era o que mais me fazia suspirar de encantamento. Era como se ele fosse o dono da rua. Mastigava chiclete, sem se importar se tinha ou não gosto, apenas para fazer charme. Seus olhos eram tão escuros que eu quase via a minha alma refletida neles.
Andava com as mãos no bolso e as costas retas, mostrando a sua confiança ao passar e arrancar suspiros femininos. E o seu sorriso... tão raro e ao mesmo tempo único. Desigual. Era um meio sorriso, o usual. Mas quando ele dava o seu sorriso inteiro, não conseguia segurar o meu.
Seus olhos se enrugavam um pouco nos cantos e ele logo diminuía a intensidade do sorriso, quase como se fosse um crime. Ele me olhou e deu o sorriso criminoso. Eu recuei com velocidade e a força que meu coração bateu.
Era possível amar alguém que mal conhecesse. Mesmo que ele parecesse ser totalmente o oposto de você? Oh, love. Era sim. Nós sorrimos e ele se afastou. Eu suspirei novamente. Com certeza era possível.

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